sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Jovem envolvida em assassinato de advogada conta detalhes do crime

A jovem acusada de envolvimento no assassinato da advogada Geysa Rocha Pires, no dia 19 de novembro, deste ano, se apresentou na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), por volta das 9h30 de ontem (27). Acompanhada de dois advogados, Vanessa de Sousa Matos, de 20 anos, confessou que presenciou o crime, coagida pelo namorado Thiago de Sousa, mas negou ter participado da execução.
De acordo com o delegado Paulo de Tarso, da DRFV, a jovem alegou que não havia se apresentado antes porque estava com medo de ser presa. Entretanto, teria resolvido se entregar agora temendo a reação de Thiago, de quem teria sofrido várias ameaças de morte. “Ela afirmou que recebeu vários telefonemas ameaçadores dele, após o crime. Depois de um tempo, ele teria dito que cada um seguiria por si”, revelou Paulo de Tarso.
Foto: Divulgação
Vanessa Matos disse ter visto Thiago matar Geyza, mas negou participação no crime e Francisco José foi preso acusado de envolvimento em tentativa de homicídio
Em depoimento, Vanessa teria revelado ao delegado que ela e Thiago se deslocaram até a casa da advogada em um Palio alugado. No local, o acusado teria convencido Geysa a sair com ele, afirmando que Vanessa era apenas uma menina que largaria e que ficaria com a vítima.
Segundo Vanessa, enquanto Thiago e Geysa se deslocavam no carro da advogada, um Corsa Hatch preto, conduzido pelo acusado, ela seguia o veículo a mando do namorado, usando o carro alugado. Em determinado ponto, conforme relatou a jovem, Thiago teria mudado o discurso, exigindo que a advogada lhe desse dinheiro.
Conforme detalhou o delegado, na dinâmica do crime descrita pela acusada, Thiago abandonou o Palio em um determinado ponto na Praia de Panaquatira e os três seguiram no carro de Geysa, que já estava dominada, para um posto de combustível nas proximidades, onde sacaram dinheiro da vítima. Em seguida, ela partiu para um local escuro da praia, onde o corpo da advogada foi encontrado, já decidido a matá-la. “Vanessa disse que ela chegou a pedir várias vezes para Thiago não matar Geysa, que também implorava pela sua vida, mas ele alegava que a advogada sabia de mais”, revelou Paulo de Tarso.
Segundo o delegado, após assassinar Geysa, Thiago teria voltado com Vanessa para buscar o carro que havia abandonado. Vanessa seguiu no Palio, enquanto ele conduzia o Corsa. Em depoimento, a jovem teria argumentado que tentou despistar várias vezes o namorado, mas não conseguiu.
Thiago também é suspeito de outros assassinatos contra mulheres, entre os quais o de uma vizinha dele. “O acusado, geralmente, se aproxima de mulheres mais frágeis para conseguir o que quer delas. Ao que tudo indica, nós estamos tratando com um possível serial killer. No momento do crime, ele geralmente coloca o som do carro bem alto para abafar o grito das vítimas”, revelou o delegado.
Vanessa prestou depoimento na DRFV e, em seguida, foi encaminhada para o Presídio Feminino, em Pedrinhas, onde permanecerá à disposição da Justiça. Segundo a polícia, o carro da advogada foi encontrado em Teresina, na posse de um assaltante conhecido como Paulo Henrique, que foi autuado naquela cidade por receptação dolosa.
Outro crime – A Delegacia de Homicídios também investiga a participação de Thiago e Vanessa em outro crime, ocorrido no dia 15 de novembro. Na ocasião, os dois, na companhia de Francisco José Moura Sousa, de 32 anos, conhecido como “Tintinho”, tio da jovem, sequestraram e atentaram contra a vida do funcionário do Hotel Mont Blanc – José Barroso, que foi amarrado, amordaçado pelos acusados e atingindo com três tiros que teriam sido efetuados por Thiago.
Francisco foi preso no último dia 25, no povoado de Bom Jesus, no município de Lima Campos, por policias militares daquela cidade. De acordo com o delegado Maymone Barros, da Delegacia de Homicídios, ele estava com dois mandados de prisão em aberto. Um temporário, pelo caso do sequestro de José Barroso; e outro preventivo, em razão de várias acusações criminosas que já responde
Em depoimento, segundo detalhou o delegado Maymone, Francisco confessou ter participado do sequestro do funcionário do hotel, mas alegou que o autor dos disparos teria sido Thiago. “Ele afirmou que a arma usada no crime, um revólver calibre 38, seria de Thiago e que era ele quem comandava toda a ação”, contou o delegado.
A polícia acredita que o atentado contra o funcionário do hotel tenha ocorrido em decorrência do fato de Thiago possuir um débito no local, onde já havia se hospedado por três vezes, só em 2011. “Acredito que o trio pegou o funcionário do hotel para garantir a saída deles de lá, diante do débito”, disse o delegado.
Francisco já responde por roubos a casas lotéricas, a farmácia, porte ilegal de arma, todos em Pedreiras. Ele foi preso e autuado em flagrante, naquela cidade, em março deste ano, quando foi flagrado com uma pistola ponto 40. Em setembro, ele também teria sido preso e autuado em flagrante no município de D. Pedro, por roubo de carga e formação de quadrilha.
Em relação ao assassinato de Geysa Rocha Pires, o delegado Paulo de Tarso afirmou que, por enquanto, está descartado o envolvimento dele neste caso. Ainda hoje (28), o delegado deverá colher o depoimento de Francisco, que já está na carceragem da DRFV.

Nenhum comentário:

Postar um comentário