segunda-feira, 4 de março de 2013

Centro de Lançamento de Alcântara completa 30 anos

O Maranhão há mais de três décadas faz parte do Projeto Aereoespacial Brasileiro. Quando se trata de tecnologia e espaço aéreo no estado está se falando sobre o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado na cidade histórica de Alcântara, que neste ano completa seus 30 anos de funcionamento, sob o comando da Aeronáutica. No decorrer desse tempo, vários projetos de lançamentos de foguetes e de pesquisas tecnológicas foram executados com sucesso. Como ainda ocorreu acidente grave que ceifou a vida de mais de 40 funcionários, entre técnicos e cientistas dessa instituição e isso retardou de certa forma a consolidação dos projetos de pesquisa espacial do Brasil.
 
 
 (Neidson Moreira/OIMP/D.A Press)
 
Somente no ano de 2012, na base do CLA ocorreram nove operações, sendo oito lançamentos de foguetes de sondagem e treinamento. Uma das últimas operações denominadas de “Iguaíba”, que ocorreu no dia 8 de dezembro, conseguiu colocar em órbita o foguete VS-30/Orion. Segundo o diretor da base, coronel César Medeiros, o foguete alcançou o apogeu de 428,142 km de altitude, um ponto de impacto 337 km de distância do centro e tendo o tempo de voo de 11 minutos e 13 segundos.

O coronel comentou ainda que esse trabalho teve a função de levar cargas com experimentos científicos até a ionosfera. “A operação tem como finalidade realizar o lançamento e rastreio do foguete. Um trabalho que envolveu uma equipe de mais de 210 profissionais entre militares e civis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ainda com a participação do Centro Espacial Alemão (DLR)”, frisou.

A base de Alcântara servindo como uma das estações de recepção e processamento dos dados emitidos pelo primeiro satélite do Brasil, conhecido pelas letras SCD-1 ou Satélite de Coleta de Dados, são 20 anos. Este satélite foi projetado, construído e operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Quando foi lançado pelo foguete norte-americano Pegasus, em 1993, o seu tempo útil era de apenas um ano e, no dia 9 de fevereiro, completou a sua 105.577 volta em torno da Terra.

A assessoria de comunicação do Inpe, localizada em São José dos Campos, São Paulo, informou que o satélite tem a função de retransmitir informações úteis para a previsão do tempo, monitoramento do nível de água dos rios e dentre outras aplicações. Como ainda, o SCD-1 contribui para a cooperação de outros países, na década de 1990. Serviu instrumento para o desenvolvimento de programas espaciais na Argentina, pois, ajudou a calibrar a Estação Terrena de Córdoba; enquanto, na China, calibrou a Estação de Nanning.

Tragédia em Alcântara
Às 13h30min, horário de Brasília, no dia 22 de agosto de 2003, três dias antes da data prevista para o lançamento, uma enorme explosão destruiu o foguete brasileiro VLS-1 V03 em sua plataforma de lançamento no Centro de Lançamento de Alcântara durante os preparativos para o lançamento, matando 21 técnicos civis. O objetivo da missão, nomeada Operação São Luís, era colocar o satélite meteorológico Satec do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o nanosatélite Unosat da Universidade do Norte do Paraná em órbita circular equatorial a 750 km de altitude. Foi a primeira e única tentativa brasileira de colocar um satélite em órbita a partir de uma base nacional.
 
 (Neidson Moreira/OIMP/D.A Press)
 
 
De 2004 a 2012, foram investidos pouco mais de R$ 582 milhões em infraestrutura e sistemas para o Centro de Lançamento de Alcântara. Nos próximos dois anos, a previsão do Programa Nacional de Atividades Espaciais é que R$176 milhões sejam empregados para o mesmo fim. Segundo o presidente da AEB, Raimundo Coelho, o Brasil aprendeu muito com a tragédia, principalmente no que diz respeito à prevenção de acidentes.

Pelas previsões da AEB, o foguete ucraniano Cyclone-4 será o primeiro a ser lançado na base, fora da fase de testes, desde a explosão da torre. Pela cooperação, firmada no mesmo ano do acidente, a Ucrânia é responsável por desenvolver e fabricar os equipamentos do foguete. Já ao Brasil cabe a construção da infraestrutura física e de comunicações do Centro de Alcântara. Ainda não há data marcada para o lançamento do foguete, mas a intenção é que isso ocorra em 2014.
 

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