sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Heptacampeão no samba, bairro do Sacavém exibe desfile de carências

Apesar da alegria dos foliões pelo heptacampeonato da escola Favela do Samba, sediada no bairro do Sacavém, neste carnaval, os moradores do local não têm nada para comemorar quando se trata de infraestrutura. Falta de água, saneamento básico, segurança, transporte público de qualidade e medo pelas áreas de risco são destaques no desfile de carências assistidos cotidianamente pelos moradores do bairro. Coheb e Salinas do Sacavém – que fazem parte da região – também sofrem com os mesmos problemas.
Segundo o aposentado Leobino Nicomedes Silva, de 76 anos, que mora na área há 15, as comunidades de Sacavém, Salinas do Sacavém e Coheb sempre enfrentaram os problemas vividos na atualidade, mas eles estão se agravando a cada dia, principalmente o risco de deslizamentos.
“Antes não havia casas embaixo das encostas, porém com o tempo vieram não só moradores, mas também empreendedores, que começaram a retirar barro dos morros, causando o risco de soterramento de quem hoje mora próximo das áreas de risco”, disse Leobino.
Foto: G. Ferreira
Ruas tomadas por lama e buracos, e esgoto a céu aberto: Sacavém é zero no quesito qualidade de vida
O problema das ruas esburacadas, enlameadas e tomadas pelas poças de água também é sério. A moradora Sandra Carvalho, 39, disse que as Avenidas 1 e 2 do bairro, onde moram aproximadamente 1.700 moradores, são as em pior estado.
Ela afirmou que o acúmulo de lama em decorrência da ausência de asfalto gera verdadeiras piscinas de água suja e se torna “armadilhas” perigosas para motoristas, que quase sempre atolam seus veículos.
“Além do medo dos deslizamentos, temos de conviver com os insetos oriundos das poças de lama, que são intermináveis, uma vez que a rua é calçada com terra e quase nunca fica seca. A prefeitura fez um trabalho nas encostas com um gel impermeabilizante, que substituiu as lonas e canalizou a água da chuva para um bueiro, porém nunca asfaltou nossas ruas e isso nos causa sérios transtornos”, disse Sandra.
Já a dona-de-casa Ana Furtado, de 40 anos, moradora da Coheb Sacavém, relatou que os buracos já tomam conta de praticamente toda a Rua 2, onde reside. Isso, segundo ela, dificulta o acesso dos ônibus urbanos, bem como outros prestadores de serviço, além de causar transtornos aos moradores que precisam trafegar pelo local.
“Temos apenas três linhas de ônibus por aqui – Coheb Sacavém, Coheb Filipinho e Coheb Cerâmica. Nosso medo é que os motoristas resolvam transitar por outro local, a fim de evitar a buraqueira, e nossa locomoção fique ainda mais prejudicada do que já é”, afirmou Ana.
No Sacavém, os moradores reclamam da falta de água, saneamento básico e segurança. O comerciante José Ireno, 59, disse que reside no bairro há 30 anos, e que nos últimos três meses a parte mais baixa do conjunto está sendo submetida ao racionamento de água. Ele contou que o dia em que a água é liberada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), a mesma não vem com vazão suficiente para subir até a caixa d’água das residências. “Nunca mais soube o que é tomar banho de chuveiro”, disse José.
Outro sério problema enfrentado pelos moradores do Sacavém é a criminalidade.
“O policiamento preventivo e ostensivo só existe na propaganda do governo estadual. Raramente vemos um carro da polícia fazendo ronda nesta área”, afirmou José Ireno.
A 2ª secretária da Associação de Moradores do Sacavém, Conceição Macedo, 55, disse que reside no bairro há 40 anos e que nunca houve saneamento básico no local. Ela mostrou como exemplo, à reportagem do Jornal Pequeno, a Rua do Canavial, onde há um cano quebrado e bueiros entupidos.
“A água jorra do meio do asfalto e assim compromete o calçamento de nossas ruas. Um dos maiores problemas nesta rua é um terreno baldio, que abriga a ‘boca’ de um grande cano da Caema, que está entupido. Quando chove, não só a rua, como várias casas são invadidas pelas águas sujas e fétidas que descem de outras ruas. O esgoto corre a céu aberto dia e noite e a Caema nunca fez nada para resolver esta situação”, ressaltou Conceição.
A líder comunitária também revelou que a comunidade passa por sérios problemas de segurança, e que quando os moradores procuram os órgãos responsáveis nunca são atendidos.
Segundo Conceição, na maioria das vezes em que um morador busca os serviços do 190 fica à mercê da própria sorte, pois quando o socorro aparece o problema já foi resolvido.
“A polícia nunca funcionou para nós aqui do Sacavém. Quando eles resolvem aparecer, sempre chegam tarde demais. O serviço de ronda quase nunca é visto no bairro, e com isso a marginalidade toma conta do Sacavé”, afirmou Conceição Macedo.
Outro lado – Os problemas de infraestrutura da área do Sacavém descritos nesta matéria foram relatados via e-mail para as assessorias de Comunicação da Caema, da Prefeitura de São Luís e da Secretaria de Segurança. Até o fechamento desta matéria, às 17h15, nenhum dos órgãos enviou resposta ao BLOG DA CULTURA FM 87,9.

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