sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pai e filho ameaçam quilombolas em Pirapemas

Dois homens – Ivanilson Pontes de Araújo e seu pai, Moisés Araújo – são acusados de matar animais e envenenar a água de um poço na comunidade quilombola de Salgado, localizada na zona rural de Pirapemas (a 196 quilômetros de São Luís).
A denúncia foi feita na manhã de ontem (16) pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (seccional Maranhão), numa entrevista coletiva realizada no auditório da entidade, no Calhau.
Segundo informou o vice-presidente da comissão, Rafael Silva, o conflito já se arrasta há quase três décadas. Segundo Silva, no último sábado, dezoito animais pertencentes a José da Cruz, líder da comunidade de Salgado, foram mortos envenenados, causando grande prejuízo a Cruz, visto que sobraram poucos animais para garantir a subsistência dele e de sua família.
Tal fato teria como motivação um conflito possessório envolvendo, de um lado, dezenas de famílias quilombolas, e, de outro, Ivanilson Araújo e seu pai Moisés.
Pai e filho são acusados de criar animais soltos nas áreas de roça das famílias quilombolas, impedindo que as mesmas tenham acesso a fontes de água e babaçuais.
O conflito entre as partes se arrastaria desde 1982. Em outubro de 2010, o juiz da comarca de Cantanhede concedeu manutenção de posse em favor das famílias do quilombo. Contudo, o réu Ivanilson estaria insistindo em desrespeitar a ordem judicial.
No domingo (11), segundo a denúncia formalizada na OAB-MA, Ivanilson teria afirmado ao quilombola José Patrício que se ele e outros moradores da comunidade continuassem a fazer roças iriam “pagar caro”.
Foi denunciado, ainda, que na manhã da quarta-feira (14), por volta de 6h, José da Cruz e outros lavradores encontraram um vasilhame de veneno dentro do poço utilizado pela comunidade. O fato ocorreu apenas dois dias após a ida do delegado agrário à área do conflito.
Ivanilson Pontes de Araújo e seu pai também são acusados de contratar dois jagunços, que estariam rondando a comunidade, de forma ostensiva, com a intenção de intimidar as famílias de lavradores

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