Estadão Conteúdo
São
Sebastião - As rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga amanheceram
interditadas nesta segunda-feira, 18, por causa das fortes chuvas que
atingiram o litoral norte de São Paulo neste fim de semana. Na
Rio-Santos, a interdição vai do km 156 ao 162 e, na Mogi-Bertioga, do km
77 ao 98. A água do mar chegou a invadir a Rio-Santos. A Rodovia dos
Tamoios, principal ligação entre o Vale do Paraíba e o litoral norte,
também registrou queda de barreiras, mas não há interdições e a via é
uma alternativa para os motoristas, bem como a Rodovia Oswaldo Cruz.
O
coordenador local da Defesa Civil, Carlos Eduardo dos Santos, havia
dito que a reabertura da Rio-Santos seria feita na manhã de hoje, mas o
Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Estado de São Paulo afirma
que não há previsão para liberação das pistas.
Calamidade
Neste
domingo, 17, O prefeito de São Sebastião, Ernane Bilotti Primazzi
(PSC), decretou estado de calamidade pública no município. Pelo menos
650 pessoas estão desabrigadas e vários bairros têm ruas alagadas. De
acordo com a Defesa Civil, além de Maresias, os bairros mais afetados
são Boiçucanga, Baleia, Barra do Una, Barra do Sahy, Juqueí e Camburi.
Caiaques e até barcos estão sendo usados no resgate de pessoas ilhadas.
O
prefeito deve ter uma reunião de emergência com o governador Geraldo
Alckmin nesta segunda-feira para pedir apoio. “Estou com ruas inundadas,
bairros sujos, e o apoio que nós temos que dar às famílias eu não tenho
condições de dar sozinho”, afirmou Primazzi à Rádio CBN.
Na Rua
Lobo Guará, na Praia de Camburi, a enchente atingiu 2,37 m. “Nossa maior
preocupação é com a falta de vasão da água devido ao mar cheio e
agitado. Segundo ele, Boiçucanga chegou a ficar totalmente ilhada
durante quatro horas na tarde de domingo. A estrada que liga Barra do
Una a Juqueí também está bloqueada devido à queda de barreira. “Alguns
bairros estão com 100% de suas ruas alagadas. Estamos enviando as
pessoas desabrigadas para o ginásio de esportes de Boiçucanga e para uma
escola em Maresias. A cidade precisa de mantimentos, materiais de
limpeza, colchões e cestas básicas, pois muitas pessoas saíram às
pressas de suas casas e perderam tudo”, relatou o prefeito Ernane
Primazzi.
Segundo ele, as quedas de barreiras estão dificultando a
chegada de socorro aos bairros afetados. “Precisamos de mais máquinas
para desobstruir as barreiras e por conta da interdição, não estamos
conseguindo enviar mantimentos e assistentes sociais. Vamos torcer para
que durante a madrugada ao menos meia pista seja liberada para que
possamos levar ajuda aos desabrigados”, completou.
Turistas ilhados
Sem
ter para onde ir, vários turistas decidiram retornar às pousadas e
hotéis para aguardar a liberação da pista, que foi interditada em ambos
sentidos por volta das 14h de domingo. “Ligamos na pousada e deixaram a
gente retornar, sem cobrar nada, pois entenderam nossa situação”, disse a
médica Cássia Andrade Laerte, 42, que havia passado o fim de semana em
Maresias.
Pedro Alcântara, que também estava em Maresias, preferiu
não arriscar o retorno por meio de outras rodovias. “Vimos que há
muitas quedas de barreiras e árvores e preferimos não arriscar, já que
não para de chover. Ficaremos por aqui até o tempo melhorar”.
Já a
designer Angela Papinni, 27, desistiu de ficar no litoral e retornou
mais cedo. “A viagem durou mais que o previsto, mas não tinha como
continuar no litoral. Muita chuva e já tenho trauma das enchentes de São
Paulo, onde já perdi dois carros”, disse ela por telefone, já na
capital, após deixar a Praia de Camburi.
São Sebastião já esteve
em emergência há duas semanas. As chuvas, na ocasião, resultaram na uma
morte de criança e deixaram 11 pontes danificadas. Da sexta-feira até a
noite de domingo, foram registrados 111,4 mm de chuva, mais da metade do
esperado para março, que era 173 mm, segundo o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE).